ananda ebooks










Visite também:

Colegio dos Magos
ananda ebooks Considerações Finais


Considerações Finais


O conteúdo dos artigos desenvolvidos até aqui têm como base os trabalhos de Deepak Chopra e Esther Del Rio.

Chopra descreve em seu livro “A Cura Quântica” a integração do sistema corpo-mente através da ação dos impulsos nervosos e a atuação de neurotransmissores no organismo, em função da influência da mente no funcionamento do cérebro.

No mecanismo de ação onde ocorre a transformação pensamento-neurotransmissor é considerado a existência de um evento de natureza quântica, devido ao fato de não existir evidências que comprovem que um sinal cerebral possa dar origem a um estado consciente. O modelo que mais aproxima a consciência da matéria é proposto pelo médico Stuart Hameroff, e o físico-matemático Roger Penrose, que propuseram o modelo de Hameroff-Penrose. Nele, eles procuraram localizar as estruturas cerebrais onde ocorreriam os eventos quânticos.

Neste modelo eles consideram que dentro do neurônio, existem estruturas sub-neurais, denominadas microtúbulos, que compõem o esqueleto neuronal. Os microtúbulos, por sua vez, possuem subunidades, as tubulinas. Essas últimas são acopladas por eventos quânticos internos e interagem cooperativamente entre si. As conexões via MAPs (microtubule-associated proteins) sintonizam e “orquestram” essas oscilações quânticas.

Por mais que se aproxime o sistema corpo-mente, Hameroff, assim como Chopra e Chalmers, aceita a idéia de que a consciência é realmente fundamental e intrínseca ao universo. Ele comenta que os processos quânticos ocorrem nos microtúbulos e conectam o cérebro para o campo quântico no nível fundamental, e isso é o que dá origem à experiência e consciência.

Outra particularidade que é inerente à consciência é o fato do organismo possuir um fluxo constante de reações desencadeadas em padrões espantosamente complexas, utilizando milhares de substâncias químicas, e que surgem e acabam rapidamente, quase sempre em frações de segundos.

A coordenação de todas essas reações também é associada a uma consciência. Hameroff a associa a uma proto-consciência, termo que designa uma consciência ligada à matéria - parte de uma consciência, não se refere ao Todo, o conhecimento cósmico e espiritual. Chopra, por sua vez, considera a visão dos Vedas de que a Consciência está em toda a parte.

Paralelamente a esses estudos, temos o trabalho de Esther Del Rio que, através de experimentos com partículas de ferro eletromagnéticas, caracterizou nosso corpo sendo formado por um sistema de macromoléculas que formam uma rede ferroso-férrica que possui corrente elétrica e eletromagnética, o qual denominou de corpo eletromagnético.

Utilizando aparelhos de raios X modificados com eletroímãs, Del Rio demonstrou a existência dos chakras, os quais são vórtices de energia descritos nos livros milenares do oriente.

A opinião de Esther Del Rio concorda, sob outro aspecto, com a visão de consciência atuando no organismo a que Chopra se refere. Ela considera uma Consciência Superior que está conectada aos corpos eletromagnético, bioquímico e mental. Desta forma, para ela a saúde está relacionada ao estado de equilíbrio entre todos estes componentes.

Os estudos sugerem que a condição básica que possibilita o funcionamento de nosso organismo bioquímico está relacionada à existência de uma consciência. O fato de que nenhuma teoria consiga explicar que o cérebro possa originar a consciência, permite aceitarmos não somente que a consciência deve ser o ponto de partida para uma teoria da mente, mas também que esta consciência possa estar submersa em um nível quântico.

Considerando o processo inverso, ou seja, se formos resgatar nossa natureza nas origens do universo, podemos responder aqui a questão levantada no artigo 6, referente à nossa realidade existencial.

Na verdade, quando consideramos o campo quântico, que corresponde ao campo de inteligência de Chopra, e voltamos até o momento do Big Bang, podemos considerar que só existia este campo antes de qualquer outra existência em nosso universo atual. E considerando também que este campo possui Consciência, podemos admitir que o ser humano seja uma extensão dessa mesma Consciência.

Através da coordenação dos processos bioquímicos feito por essa Consciência, associado ao fluxo energético adequado no corpo eletromagnético, o ser humano vive no universo físico. Se formos considerar a proto-consciência, também temos que considerar que sua origem está no campo quântico, ou seja, nessa mesma Consciência.

Considerando a visão de Chopra em relação aos rishis, vimos no artigo 7 que as experiências dos yogues demonstram que esta Consciência possui qualidades correspondente a estados de espírito sublimes. Quando uma pessoa atinge um estado de êxtase, ela vivencia “uma vida transcendente, e submerge em uma imensidão de Paz, Amor e Felicidade”.

Repare que o ser humano almeja em sua vida justamente essas qualidades. Isto sugere também que somos parte dessa Consciência, devido a nos identificarmos integralmente com a necessidade de sentirmos em nós Suas qualidades. Desta forma, temos a necessidade também - embora não tenhamos pleno conhecimento disso – de entrarmos em harmonia com esta Consciência. E isto explica porque os rishis dizem que a mente tem a tendência natural de ser conduzida ao quarto estado.

O contato com esta Consciência ocorre em 2 níveis: um nível mais superficial e outro mais profundo.

No 1° nível, elevamos nossa condição vibratória e atingimos um estado de consciência que corresponde ao estado de vibração Ananda, ou Bem-Aventurança, onde percebemos a realidade dentro dos dois Princípios de Unidade: o primeiro nos faz sentir que somos parte de um Todo, onde o ser humano, a natureza e a Consciência são fisionomias diferentes de uma realidade única; o segundo nos faz sentir um imenso amor por todas as coisas. Mesmo sendo um nível superficial, este só pode ser compreendido quando vivenciado.

No 2° nível, nossa realidade desvanece ao atingirmos um estado onde nossa mente transcende os limites de tempo e espaço, funde-se à Consciência Cósmica, e submerge em uma vida transcendente. A pessoa que atinge este nível percebe todas as características que correspondem ao conceito de Consciência de Unidade.

Desenvolvemos estes artigos considerando uma realidade subjetiva. Dentro destes artigos, levantamos duas questões: uma a respeito da busca por um equilíbrio físico, mental, emocional e espiritual; e outra sobre nossa realidade existencial.

Resta-nos agora uma última questão: ao chegarmos no final desta seqüência de artigos, apresentamos até aqui uma seqüência lógica, porém, sem uma metodologia que possa lhe oferecer um respaldo científico. Desta forma, podemos estar diante de uma realidade existencial que ainda não foi descoberta pela ciência; ou algo que aponta para um caminho por onde os cientistas procuram elucidar esta mesma realidade tratada nestes artigos.

Podemos considerar, portanto, o conteúdo discutido até aqui – a respeito desta realidade subjetiva – como ficção ou realidade?

Caso seja ficção, a discussão é válida pelo fato de seguirmos uma seqüência lógica e intrigante a respeito de uma possível realidade existencial do ser humano.

Caso seja realidade, vale fazer aqui algumas considerações finais.

O ser humano vive em um mundo desequilibrado. Nosso dia-a-dia não corresponde a toda essa busca por um equilíbrio físico, mental, emocional e espiritual.

Vivemos acima do nível quântico a qual Chopra se refere ao corpo mecânico quântico, e somos realmente capazes de passarmos nossa vida inteira apegado aos sentidos e à mercê de trishna, sem mergulharmos no campo quântico em nenhum dos dois níveis citados acima. Também não percebemos o quanto esta realidade nos limita, e isto nos mantém realmente presos na “roda de samsara”.

Todavia, devemos ter consciência que esta nossa realidade não acontece ao acaso. O ser humano se encontra em um estágio de evolução. Como diz o instrutor espiritual Clarêncio, “a penumbra interior é clima que lhes é necessário”. Ou seja, nossa impossibilidade de vivenciar uma vida interior plena e vivermos como um “homem abdominal” deve se tornar um aprendizado que crie uma base sólida para o desenvolvimento do ser humano.

Devemos pelo menos estar cientes de que o ser humano possui um caminho ao qual ele pode se desenvolver. Este caminho está relacionado a um aumento do funcionamento dos chakras e conseqüente aumento da freqüência energética do organismo.

Na verdade, o ser humano necessita dessa elevação de freqüência vibratória, que provavelmente seja a chave para a mudança de nosso comportamento e consciência em relação a toda a nossa existência. Isto equivale à evolução do ser humano para um “homem torácico”, ao qual o prof. Laércio Fonseca se refere.

Sob um ponto de vista pessoal, o estado de consciência Ananda traz um sentimento real de que o ser humano, a natureza e esta Consciência é, em última análise, uma coisa só. E a experiência de transcendência da matéria, nem que seja um vislumbre de um raio divino, faz submergir imediatamente a uma imensidão de Paz indescritível no primeiro momento. Uma única experiência realmente é suficiente para se compreender que existe uma realidade que transcende o limite dos sentidos. E permitiu escrever com clareza e segurança o conteúdo destes artigos.

Devemos ter muita esperança que o ser humano supere o peso do que possa ser considerado seus erros, e consiga utilizá-los conforme Tae Yun Kim ensina: para aprender, crescer e melhorar.

Com relação à compreensão de nossa existência, considerando a riqueza de conhecimento nas milhares de páginas das escrituras védicas, bem como o vasto conhecimento adquirido pela ciência, podemos esperar que um dia o oriente e o ocidente se unam por uma causa maior: a evolução do ser humano.

E o ser humano, por sua vez, deve lembrar-se novamente do que ele é. Pois o grande mal da humanidade acaba se tornando o próprio esquecimento de sua Origem Divina, o que causa uma subestimação de seu próprio valor.

Desta forma, talvez um dia o ser humano se posicione em seu devido lugar, deixando de ser humano para tornar-se um Ser Universal.

Devemos estar cientes também que, se quisermos realmente mudar o sentido da história da humanidade, a mudança primeira deve ocorrer em nosso interior.

E duas forças podem conduzir a humanidade para esse caminho natural de sua evolução: O Amor Incondicional aliado à nossa própria Vontade de Ser.


Referências:

Consciência Quântica ou Consciência Crítica? – Roberto J.M. Colovan
http://www.comciencia.br/reportagens/fisica/fisica14.htm

What is Consciousness? A Conversation with Stuart Hameroff – From Issue Thirteen, August 2011
http://noetic.org/noetic/issue-thirteen-august/what-is-consciousness-hameroff/


Direitos Reservados - 2017