ananda ebooks










Visite também:

Colegio dos Magos
ananda ebooks Eu Superior - Princípios de Unidade


Eu Superior

Princípios de Unidade


No artigo anterior procuramos caracterizar o campo de inteligência de uma forma teórica, para entendermos o que existe em uma realidade tão subjetiva. Porém, falta adicionarmos um ponto de vista mais próximo de nossa realidade, que torna nossa relação com este campo mais pessoal.

Em nosso primeiro artigo mostramos como Chopra relaciona o campo de inteligência com um outro estado de consciência, ao qual os rishis chamavam de “turiya” ou “quarto estado”. Em uma parte de seu livro “A Cura Quântica”, Chopra comenta que ele deveria expor o que existe do outro lado deste “quarto estado”, na visão dos livros védicos. Vamos ver agora o que esta parte do livro nos diz: “eu estaria traindo a sabedoria dos rishis se não apresentasse sua expansão final, cujo precedente não está claramente definido no Ocidente – ou está confinado à doutrina religiosa. Os rishis procuravam um estado de total percepção. Para eles, isso não era filosofia nem religião, mas algo natural por ser humano. O quarto estado não é um final, mas uma porta. E o que existe do outro lado? A única resposta completa teria de vir das milhares e milhares de páginas dos livros védicos, que funcionam como uma enciclopédia das experiências registradas pelos rishis. A resposta mais simples é dizer que cada rishi encontrou o Eu Superior.”

Repare que ele comenta que os rishis não tratavam suas experiências nem como filosofia, nem como religião. Na verdade, para eles, encontrar o quarto estado é uma tendência natural da mente, devido a isto ser algo inerente à natureza humana.

Chopra comenta que cada rishi encontrou seu Eu Superior. Trataremos neste artigo desta forma nosso campo de inteligência. Porém, primeiramente, vamos compreender como devemos imaginar que seja este Eu.

Quando tratamos o campo de inteligência como Eu Superior, a palavra Eu designa algo personificado. Todavia, vimos no artigo anterior que este Eu corresponde a um universo infinitamente microscópico.

O mesmo yogue indiano – o qual foi mostrado no segundo artigo seu comentário a respeito da atual evolução humana e sua relação com a atividade dos chakras – nos ajuda a ter uma idéia da expressão sutil que corresponde a este Eu Superior. Ele comenta a respeito de uma pessoa que retorna do “sétimo plano” para a Terra: “Algumas almas evoluídas que atingiram o sétimo plano, o plano mais alto do samadhi, e que mergulharam na Consciência de Deus, aceitam descer destas alturas para socorrer a humanidade. Elas conservam o eu do conhecimento, o eu superior. Mas este eu não passa de uma simples aparência, uma linha traçada sobre a superfície da água”.

Este Eu Superior, portanto, não é exatamente algo personificado, e corresponde ao que um rishi encontra quando sua mente atinge o quarto estado.

Os rishis afirmavam que o quarto estado existe aqui, dentro de nossa realidade. De que forma podemos compreender esta afirmativa, se não conseguimos identificar em lugar algum esta realidade? Para entender esta questão, podemos fazer uma analogia a respeito desta realidade subjetiva, dentro de nossa realidade, da seguinte forma: pegue um copo de leite. Misture um pouco de água. Repare que a adição da água não modificou a aparência do leite. Agora, tente separar novamente a água do leite. Esta é uma mistura que não é percebida e é difícil de separar.

Esta é uma comparação que melhor se faz compreender esta realidade subjetiva dentro de nossa realidade. E podemos chamar aqui este aspecto como o primeiro Princípio de Unidade.

Utilizando esta perspectiva de que o Eu Superior está presente em nossa realidade “como água no leite”, olhe a realidade à sua volta. Perceba que, desta forma, este conceito nos diz que nós, assim como o mundo, somos parte desse mesmo Eu Superior, e que o ser humano, a natureza e nosso Eu Superior são fisionomias diferentes de uma realidade única. É desta maneira que os orientais afirmam que o Eu Superior está em toda a parte, ou que “Tudo é Um”.

Vimos de que forma nosso Eu Superior se encontra em nossa realidade. Na verdade, utilizar explicações no sentido figurativo é a melhor forma de compreendermos um conceito tão difícil de se traduzir.

Outro aspecto que devemos compreender, que impede de termos contato com esse outro estado de consciência, é o de “estar no presente”. Parece redundante não? Este “estar no presente” se refere à nossa mente. Nós temos o hábito de, mentalmente, estar tendo recordações passadas e expectativas do que vem a acontecer. Desta forma, nossos pensamentos estão frequentemente oscilando no passado e no futuro, e esta é uma forma natural de vivermos nossa realidade.

Vamos ler um texto extraído do livro “A Busca do Eu Superior”, de Paul Brunton: “o passado e o futuro, quando analisados, são, portanto, vistos como manifestações de um tempo presente, repousando inteiramente sobre ele e não possuindo existência própria... Trata-se de um perene ‘agora’. A relação que existe entre o passado e o futuro foi criada pelo poder unificador da memória do homem; existe no homem, não no tempo.”

Desta forma, ele diz que tudo o que fizemos no passado e tudo o que iremos fazer no futuro, é depositado no eterno presente. Apenas o presente é tempo “real”.

Precisamos ter esta noção de “tempo presente” para entendermos como ter contato com esta Mente Superior. Neste sentido, podemos novamente utilizar uma linguagem figurativa: imagine que nossa mente seja um lago cristalino. Ao olharmos para ela, vemos nosso Eu Superior. Todavia, o ambiente no qual se encontra esse lago está constantemente sofrendo a ação de ventos que agitam a água, impedindo de enxergarmos Ele. Estes ventos são nossos pensamentos, desejos, emoções, etc. Em geral, nosso mental está disperso. É necessário reuni-lo e dirigi-lo para um ponto único.

Apesar de estarmos discutindo a respeito de como entrarmos em contato com nosso Eu Superior, esta tarefa é muito difícil de ser experimentada. Requer muita disciplina e técnicas de meditação. Mas o fato é que, apesar da dificuldade, isto é uma realidade. E esse “encontro real”, onde a nossa mente se conecta com a Mente Superior, é uma experiência onde o corpo humano se comporta de uma forma que foge às explicações da ciência.

Um estudo sobre mudanças fisiológicas que ocorrem durante a Meditação Transcendental foi feito pelo fisiologista americano Robert Keith Wallace. Neste estudo ele relata o seguinte: “Certos meditadores apresentaram mudanças físicas que ultrapassaram a média. Como aconteceu com iogues estudados na Índia e no Himalaia, sua respiração pareceu cessar por longos períodos. No nível subjetivo, esses estados mais profundos foram vivenciados como um silêncio interior absoluto, uma enorme expansão e de profundo conhecimento. A mente se esvaziou de pensamentos específicos, mas ficou com a clara percepção de ‘Eu sei tudo’”.

O Yoga Vasishtha comenta a respeito deste estado: “Quando há a suspensão da respiração, sem esforço, esse é o estado supremo. É o Eu. É a pura, infinita consciência.“

O estado fisiológico do organismo pode se modificar até limites extremos. Paul Brunton teve a oportunidade de conversar com o sábio brâmane Sudei Babu. Ele praticava a yoga de Brama Chinta. Ele descreve como ocorre o que ele chama de “Transe Sagrado”: “quando alguém entra em transe sagrado, uma espécie de vácuo se faz em sua mente; a Consciência Suprema entra e toma o lugar desse vácuo. A essa mudança segue-se uma imensa felicidade, um imenso amor por todas as coisas criadas e, nesse momento, para um observador, o corpo parece morto, porque no auge do transe até mesmo a respiração fica suspensa... O êxtase é uma força tão tremenda que a morte não pode surpreender o homem quando nele está mergulhado.

No transe, o pulso fica parado por completo, o coração cessa de bater e o sangue não circula – qualquer médico se enganaria a respeito do diagnóstico. Não imagina, todavia, tratar-se de uma forma de sono; esses sábios são tão conscientes quanto o senhor ou eu neste momento. Somente eles entraram num plano em que vivem uma vida mais intensa que a nossa, onde o espírito não está mais subordinado aos limites que lhe impõe a carne. Todo o Universo está neles.”

Apesar de impressionar o que ocorre com o organismo, podemos perceber que a realidade transcendente que se sente no momento do êxtase é algo esplendoroso. Podemos ver aqui o que existe de mais pessoal referente ao encontro de uma pessoa com o Eu Superior.

Paul Brunton perguntou ao sábio qual era a finalidade suprema da yoga de Brama Chinta. Ele o respondeu, caracterizando um pouco mais o que se sente no momento do êxtase: “Nós procuramos as condições favoráveis para alcançar o êxtase sagrado, porque nele e só nele é que o homem pode perceber sua alma como um ser real. Em seguida, esforçamo-nos para chegar ao desprendimento das coisas do mundo dos fenômenos, pois quando obtivemos um estado em que tudo parece desvanecer-se, nesse momento a alma surge dotada de uma vida transcendente e nos submerge numa imensidão de paz e felicidade. Uma única experiência é suficiente para que o homem tenha plena convicção de que nele há realmente uma vida divina e eterna, e essa noção jamais se afastará da sua consciência.”

Podemos perceber aqui mais uma característica de nosso Eu Superior. Note que a experiência de se alcançar essa Consciência Suprema é acompanhada de uma vivência a respeito de estados de espírito sublimes. Os sábios encontram uma vida transcendente e submergem em uma imensidão de Paz, Amor e Felicidade. Estas características fazem parte deste Ser Superior.

Devemos compreender novamente a respeito de freqüência vibratória. Estamos acostumados a vivenciar o mundo dentro de padrões vibratórios dos mais variados. Dentro desses padrões variam também nosso estado de espírito. Mas o que precisamos entender é que sensações de medo, angústia, infelicidade, insegurança, enfim, tudo o que desestabiliza nosso estado emocional, está relacionado a baixos padrões vibratórios gerado por diversas circunstâncias. Porém, estamos discutindo a respeito de um padrão vibratório elevado, onde simplesmente estes sentimentos que nos desestabilizam deixam de existir. Dizem que felicidade é um estado de espírito. Podemos dizer igualmente que felicidade é um estado de freqüência vibratória elevada.

Desta forma, temos aqui um outro fator que nos aproxima de nosso Eu Superior: procurarmos manter nosso padrão vibratório elevado. Isso já foi discutido em artigos anteriores. Porém, aqui, não podemos deixar de comentar a respeito do mais sublime dos sentimentos que um ser humano pode cultivar, e que nos ajuda a elevar nossa freqüência vibratória: o Amor Incondicional.

O Amor Incondicional é um amor desinteressado, diferente do amor condicional, que requer algum tipo de troca – um amor dado apenas com base em determinadas condições – conscientes ou não.

O amor que mais se aproxima deste que nos referimos é um amor puro de mãe para com o seu filho, ou um amor verdadeiramente puro entre um casal.

Para compreendermos o Amor Incondicional, devemos também entender o primeiro Princípio de Unidade. Para nós, ocidentais, entendermos a igualdade de todas as coisas é muito difícil, justamente por vivermos em um mundo em que só vemos desigualdades. Mas, se analisarmos tudo o que discutimos ao longo de todos os artigos, podemos chegar à conclusão que o ser humano é parte integrante de uma realidade que transcende a esta realidade a qual vivemos. Somente estamos condicionados a aceitar nossa realidade conforme é mostrada em nossa cultura, nosso meio social. Mas devemos entender nossa Essência.

Assim, podemos compreender também o segundo Princípio de Unidade, que é o próprio Amor Incondicional. O sétimo dos doze toques espirituais da sabedoria dos rishis, o trata como uma linguagem sagrada. Ele diz: “Que língua, que não a do Amor Incondicional, será sagrada? Que povo será o escolhido divino, se todos os seres são divinos? Quem é branco, negro, amarelo ou vermelho, em espírito? Qual é a raça do Criador de todas as raças?”.

O Amor Incondicional é o sentimento mais puro que pode elevar nossa condição vibratória, igualando à elevada freqüência vibratória do que estamos chamando aqui de Eu Superior. E, desta maneira, sentimos também as qualidades inerentes Dele - de Amor, Paz e Felicidade. Este é o estado de vibração Ananda, ou estado de Bem-Aventurança ao qual Chopra se refere, e que estabiliza todos os nossos estados físico, mental, emocional e espiritual. Quando atingimos este estado, sentimos realmente o que o sábio Sudei Babu descreve: uma imensa felicidade e um imenso amor por todas as coisas criadas. Isto porque não só compreendemos, mas também sentimos que somos parte integrante da natureza, de tudo o que está ao nosso redor. E o primeiro Princípio de Unidade se torna real dentro de uma experiência que só entendemos quando a vivenciamos.

Precisamos entender também que o estado Ananda, ou Bem-Aventurança, pode ser vivenciado sem as alterações fisiológicas citadas acima. É um estado que precede ao estado em que ficamos absorto na Consciência Absoluta, ou Eu Superior.

Assim como Chopra comenta que ele estaria traindo a sabedoria dos rishis se não apresentasse sua expansão final, não poderíamos deixar de expor esta relação do campo de inteligência com o Eu Superior. Ao fim deste artigo, temos uma experiência detalhada a respeito da experiência transcendente que foi vivenciada por Paul Brunton em sua viagem à Índia (anexo).

No próximo artigo faremos algumas considerações finais a respeito de todos os artigos desenvolvidos até aqui.


Referências:

A Cura Quântica – Chopra, Deepak – Ed. Best Seller

A Índia Secreta – Brunton, Paul – Ed. Pensamento

A Busca do Eu Superior – Brunton, Paul – Ed. Pensamento

Doze Toques Espirituais da Sabedoria dos Rishis
http://somostodosum.ig.com.br/conteudo/conteudo.asp?id=4649


ANEXO

Texto extraído de: A Índia Secreta (Paul Brunton).
Refere-se à experiência transcendente do próprio autor.


“Nunca o Maharichi me aconselhou a forçar a detenção do pensamento. ‘Investigue a origem do pensamento – é o seu reiterado conselho – vele pela revelação do seu verdadeiro eu, e então seus pensamentos se extinguirão por si’.

Isso é exatamente o que se passa. Sinto haver atingido a raiz, a origem mesmo dos pensamentos. Relaxo então o esforço positivo e entrego-me a mais completa passividade, concentrando toda atenção nesse ponto, e não obstante mantenho-me tão vigilante como uma serpente sobre sua presa.

Domino esta condição de equilíbrio, até que verifico a exatidão dos ensinamentos do Sábio. As ondas do pensamento se acalmam gradativamente; o trabalho da faculdade racional atinge o ponto morto. Essa é bem a maior e mais estranha sensação que vivi. O tempo parece hesitar sua marcha, à proporção que a faculdade intuitiva penetra mais fundo e coloca suas antenas no mundo inexplorado. Os sentidos deixam de ser percebidos, e até mesmo sua lembrança. Tenho a sensação de que posso, de um momento para outro, ficar além das coisas e atingir o umbral do mistério do universo.

E esse momento vem. O pensamento se extingue como um fogo que se apaga, e recua ao seu próprio lugar, isto é, onde a consciência não é mais interrompida na sua ação pela intervenção do raciocínio. Reconheço a verdade das palavras do Maharichi, quanto à origem transcendental do espírito. A mente está em estado de suspensão, num vácuo, como num sono sem sonhos, porém sem a menor perda de consciência. Estou perfeitamente calmo, absolutamente cônscio do que sou e de tudo o que se passa em mim; todavia, essa consciência está liberta dos limites da personalidade, perde-se no sublime infinito, abrangendo todas as coisas criadas. O eu subsiste, porém uma existência transfigurada, irradiante, algo infinitamente superior à minha insignificante personalidade que era e que interpretava até agora como meu eu.

Esse algo que faz parte do divino se eleva além da consciência e torna-se Eu. Surge então o sentimento de liberdade, porque o pensamento que estava submisso a um movimento de vaivém, liberta-se: ficar livre do seu mecanismo equivale a respirar o ar puro ao sair de um cárcere.

Agora ultrapasso os limites da consciência cósmica. O mundo terrestre, que era tudo para mim, desaparece. Estou submerso numa imensidão de luz, e sinto atingir à quintessência primordial donde surgem os mundos, e a matéria no seu estado primitivo, infinito, incriado, indivisível, perene, a fonte inesgotável de vida. Com a velocidade de um relâmpago, adquiro a noção do mistério do drama que se desenrola no espaço sideral. Tenho a consciência de chegar à substância original, à fonte mesmo do ser. Este Eu, esse Eu transfigurado, está envolto num mar de inexprimível felicidade; bebo da taça platônica de Letes!

Névoas e amarguras do passado, brumas e incertezas do futuro, tudo está esquecido. É a liberdade plena em sua divina essência. Abraço, num impulso de amor sem reserva, a criação inteira, e compreendo agora, plenamente, que conhecer tudo não é somente tudo perdoar, mas também tudo amar. Minha alma está deslumbrada, em êxtase...”


Direitos Reservados - 2017